• Fábio da Silva

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE?



É noite. De um lado da rua, está o prédio; do outro, o carro estacionado junto ao meio-fio. Sentado no banco do motorista, apertando fortemente o volante, está André – um jovem branco, alto, de cabelos castanhos curtos. Ele acende a luz interna do veículo e tira do bolso da jaqueta jeans uma foto sua com Márcia - uma bela jovem branca, de estatura mediana, e de cabelos castanhos compridos. André começa a chorar. Lágrimas caem na foto.


Uma semana antes...


No quarto do apartamento, deitados na cama, envoltos nos lençóis, Márcia e André trocam carícias e fazem juras de amor.

- Diz novamente. – pede Márcia.

- Eu te amo! – responde André.

- Promete ficar comigo pra sempre?!

- Até que a morte nos separe.

Após se olharem ternamente, o casal se abraça e se beija.


Uma semana depois...


Como é hora do almoço, o luxuoso restaurante está movimentado. Sentados a uma das mesas, está o casal.

- A viagem só vai durar dois dias, Márcia. – informa André - Sexta-feira eu tô de volta.

- Essa é a desvantagem de ser casada com um homem de negócios. – lamenta a esposa.

Márcia olha para a entrada do estabelecimento e vê Lílian – uma jovem e sensual morena, alta, de cabelos negros compridos. - Ela acena para a amiga que caminha na direção do casal.

- Olá amiga! Quase fiquei presa no escritório. – justifica-se Lílian, que beija Márcia e senta-se à mesa.

- Como você tá, Lílian? – pergunta Márcia.

- Toda enrolada. Como sempre! Mas tô ótima! – volve para o esposo da amiga. - Olá, André!

- Oi, Lílian! – diz secamente.

- Vocês já pediram? – pergunta Lílian.

- Estávamos esperando você. – responde a Márcia.

O celular toca na bolsa de Márcia, que atende.

- Oi, chefe!... Ah! Tô aqui no restaurante com meu esposo e uma amiga... Agora?! Mas é hora do almoço, Ricardo... Sei... Sério?!... Já que é uma emergência, tô indo pra aí. - desliga o celular.

- Seu chefe de novo?! Esse Ricardo é um chato! – afirma André.

- Você sabe que tenho de ir, André. Quando você voltar de viagem, eu te compenso.

- Ah! Que pena, amiga. – lamenta Lílian.

- Olha: por que vocês não ficam e aproveitam o almoço sem mim? – após fazer a recomendação Márcia levanta-se e beija André - Boa viagem, amor. – volve para a amiga - Lílian, cuida do meu esposo por mim.

- Pode deixar, Marcinha.

Após a saída de Márcia, Lílian reclina-se sobre a mesa e, sensualmente, encara o esposo da amiga.

- Agora somos apenas você e eu, André querido.

- Você não desiste mesmo, não é, Lílian?! Como pode fazer isso? A Márcia é sua amiga. Escuta: nunca vai acontecer nada entre nós dois. – informa.

- Eu fico me perguntando até quando você vai resistir.

Por debaixo da mesa, Lílian passa um dos pés por entre as pernas de André. Este meneia a cabeça negativamente, levanta-se e sai deixando aquela sentada à mesa sorrindo.

- Você ainda vai ser meu, André – fala pra si mesma.


Horas mais tarde...


É noite. E ainda no carro, André lembra-se dos acontecimentos de uma semana atrás, quando ele e Márcia fizeram juras de amor; lembra-se também das insistentes insinuações de Lílian. Então, secando as lágrimas do rosto, olha por alguns instantes para o prédio no outro lado da rua, respira fundo, abre a porta e sai. Atravessa a rua, alcança a outra calçada. Toca o interfone do prédio. O portão é aberto. André entra. Segue para a portaria. Cumprimenta o porteiro. Pára em frente o elevador. Pressiona o botão. Anda de um lado a outro. Impaciente, decide subir as escadas até o quinto andar, onde toca a campainha de um dos apartamentos. A porta é aberta por Lílian, que sorri. André entra na sala e a toma nos braços. Ambos se beijam e se acariciam loucamente.


Horas antes...


Já é noite. Márcia entra em casa. Joga a bolsa e as chaves sobre a mesa da sala. Vai até o quarto, onde começa a se despir. Segue para o banheiro, onde toma um banho. Na sala, a maçaneta da porta começa a girar. Alguém entra. A seguir, o telefone toca insistentemente. Entra um recado na secretária eletrônica na voz de Ricardo: Oi, Márcia! Sou eu, o seu chefinho Ricardo. Foi ótimo tocar esse seu corpinho de novo. Me liga. Isso é uma ordem. Vestida em um roupão e secando os cabelos com uma toalha, Márcia entra na sala sorrindo e olha para a secretária eletrônica. Subitamente, um buquê de rosas vermelhas cai no chão. Assustada, Márcia volve o olhar para aquela direção. Larga a toalha. Seu semblante torna-se sério. Leva as mãos à boca. De pé, ao lado do buquê, está André. Ele fica olhando Márcia por alguns instantes. Então, decide falar:

- A minha viagem foi adiada na última hora e... Eu resolvi fazer uma surpresa pra você, amor.

Lentamente, André vira-se e sai.

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